A escolha entre Laser, Espuma ou Cirurgia depende da anatomia da veia e do calibre da lesão. Atualmente, o Endolaser é considerado o padrão-ouro mundial para tratamento de veias safenas devido à recuperação rápida e sem cortes. A Espuma é ideal para veias tortuosas em pacientes que não podem operar, enquanto a Cirurgia Convencional (Stripping) tornou-se uma opção secundária, reservada para casos muito específicos ou limitações de convênio.
Introdução: É possível tratar varizes sem internação?
Durante décadas, o diagnóstico de varizes era sinônimo de uma cirurgia agressiva: internação hospitalar, raquianestesia, cortes na virilha e no tornozelo, e um pós-operatório doloroso de 30 dias com as pernas para cima. Felizmente, esse cenário mudou radicalmente.
A Flebologia moderna (estudo das veias) evoluiu para procedimentos minimamente invasivos. Hoje, a maioria dos tratamentos é realizada em ambiente ambulatorial (na própria clínica ou hospital dia), sem necessidade de internação prolongada. O foco saiu da “retirada da veia” para a “ablação” (inutilização) da veia doente, preservando ao máximo os tecidos saudáveis ao redor.
Se você busca entender a fundo o que causa essa doença antes de decidir o tratamento, recomendamos a leitura do nosso Guia Definitivo sobre Varizes (Causas e Sintomas). Mas se você já tem o diagnóstico e quer decidir a melhor técnica, continue lendo este comparativo detalhado.
1. Endolaser (Termoablação): O Padrão-Ouro Mundial
O tratamento com Laser Endovenoso (EVLT) revolucionou a cirurgia vascular. Diferente do laser transdérmico (usado superficialmente para vasinhos), o Endolaser trata as veias “por dentro”.
Como funciona?
Guiado por ultrassom, o médico introduz uma fibra óptica flexível dentro da veia doente (geralmente a veia safena) através de uma punção mínima (semelhante a tirar sangue). Ao ser acionado, o laser libera energia térmica, “queimando” e selando a parede da veia. O organismo então absorve essa veia fibrosada naturalmente, e o sangue passa a circular pelas outras veias saudáveis.
Vantagens do Endolaser:
- Sem cortes ou cicatrizes: Não há necessidade de incisões na virilha.
- Recuperação Imediata: O paciente sai caminhando do procedimento.
- Menor risco de hematomas: Comparado à cirurgia tradicional, o trauma é mínimo.
- Retorno rápido: É possível voltar ao trabalho em 2 a 3 dias (em trabalhos de escritório).
Para quem é indicado?
Principalmente para tratamento das Veias Safenas (Magna e Parva) e veias perfurantes insuficientes. É a técnica de escolha nas diretrizes americanas e europeias de cirurgia vascular.
2. Escleroterapia com Espuma Densa: A Solução Sem Cirurgia
A “Espuma” ganhou popularidade por ser um procedimento versátil, que não exige centro cirúrgico e tem custo geralmente menor que o Laser.
Como funciona?
O médico mistura um medicamento esclerosante (Polidocanol) com ar, criando uma espuma densa com consistência de “mousse de barbear”. Essa espuma é injetada na veia guiada por ultrassom. Ela preenche o vaso, empurra o sangue e lesiona a parede interna da veia, causando seu fechamento (esclerose).
Vantagens da Espuma:
- Sem anestesia ou cortes: Feito no consultório, apenas com a picada da agulha.
- Sem repouso: O paciente deve sair caminhando e manter a vida normal.
- Versatilidade: Trata desde vasinhos até úlceras venosas graves.
- Repetibilidade: Pode ser feito em sessões seriadas.
Desvantagens e Riscos:
A espuma tem uma taxa de “recidiva” (retorno da veia) levemente maior que o laser a longo prazo. Além disso, existe o risco de manchas escuras na pele (hipercromia) no trajeto da veia tratada, que podem levar meses para sair. Por isso, exige cautela em pacientes com pele morena ou negra preocupados esteticamente.
3. Cirurgia Convencional (Fleboextração): Ainda vale a pena?
A técnica clássica, conhecida como Stripping da Safena, envolve fazer um corte na virilha e outro no tornozelo/joelho, introduzir um cabo (fleboextrator) e arrancar a veia.
Quando ainda é usada?
Embora mais agressiva, a cirurgia convencional ainda tem seu espaço:
- Quando a anatomia da veia é muito tortuosa, impedindo a passagem da fibra do laser.
- Quando a veia safena é extremamente dilatada (calibres gigantes).
- Limitações de cobertura de alguns planos de saúde (que ainda não cobrem o laser).
Hoje, realizamos a cirurgia de forma muito mais delicada que antigamente, muitas vezes usando microincisões (miniflebectomia) para retirar as veias colaterais, o que melhora muito o resultado estético.
Comparativo Direto: Laser vs. Espuma vs. Cirurgia
Para facilitar sua decisão, preparamos uma tabela comparativa baseada em dados clínicos e experiência de consultório:
| Critério | Endolaser | Espuma Densa | Cirurgia Convencional |
|---|---|---|---|
| Indicação Principal | Veias Safenas (Padrão-Ouro) | Veias tortuosas / Risco cirúrgico alto | Anatomia difícil / Custo |
| Anestesia | Local (Tumescente) ou Sedação | Nenhuma ou Local | Raqui ou Peridural |
| Tempo de Repouso | 2 a 4 dias | Zero (Vida normal imediata) | 15 a 30 dias |
| Risco de Manchas | Baixo | Médio/Alto | Baixo (Risco de cicatriz) |
O Conceito de Tratamento Híbrido (ATTA)
Um segredo que muitos pacientes desconhecem é que, frequentemente, não usamos apenas um método. Para obter o melhor resultado estético e funcional, combinamos técnicas na mesma sessão. Isso é chamado de ATTA (Ablação Térmica Totalmente Ambulatorial).
Exemplo comum em nossa prática:
- Usamos o Endolaser para tratar a veia Safena (a raiz do problema).
- Usamos a Microcirurgia para remover as varizes grossas visíveis.
- Usamos a Espuma ou Laser Transdérmico para secar os vasinhos restantes.
Essa abordagem integrada resolve o problema de forma completa, atacando desde a raiz até a estética superficial, em um único ato médico.
Como é o Pós-Operatório Real?
O medo da dor é uma barreira comum. Vamos esclarecer o que acontece após os procedimentos modernos.
No Endolaser, a dor pós-operatória costuma ser leve, comparada à sensação de ter feito um exercício físico intenso (“musculação pesada”) na coxa. Analgésicos simples resolvem.
O uso de meias de compressão é obrigatório na maioria dos casos, geralmente por 7 a 15 dias. Elas ajudam a diminuir o inchaço e aceleram a aderência das veias tratadas. O sol deve ser evitado enquanto houver hematomas (roxos) para não manchar a pele.
Custos e Cobertura de Planos de Saúde
Uma dúvida frequente: “O convênio cobre Laser?”.
Pelo rol da ANS (Agência Nacional de Saúde), a cobertura obrigatória inclui a cirurgia convencional e a escleroterapia com espuma para casos selecionados. O Endolaser, apesar de ser a melhor técnica, ainda não é cobertura obrigatória em todos os planos, dependendo do contrato e da negociação do cirurgião. É importante consultar sua operadora ou a equipe administrativa da clínica para verificar as possibilidades de reembolso médico.
Dúvidas Frequentes sobre Tratamentos (FAQ)
1. Qual o melhor tratamento para evitar que as varizes voltem?
O Endolaser apresenta as menores taxas de recidiva (retorno) a longo prazo para veias safenas, superando a cirurgia convencional e a espuma em estudos de acompanhamento de 5 anos. Porém, a doença é crônica e novas veias podem adoecer se não houver prevenção.
2. A aplicação de espuma dói muito?
A dor é mínima. O paciente sente a picada da agulha e, às vezes, uma leve ardência ou sensação de peso enquanto a espuma percorre a veia, que passa em poucos minutos. É perfeitamente tolerável sem sedação.
3. Posso fazer Laser se tiver pele negra?
Sim. O Endolaser corre por dentro da veia, não afetando a melanina da pele. Já o laser transdérmico (externo) exige cuidados específicos e parâmetros ajustados para evitar queimaduras em peles com mais melanina.
4. Quantas sessões de espuma são necessárias?
Depende da quantidade de varizes. Para uma safena, geralmente uma sessão resolve. Para varizes tributárias múltiplas, podem ser necessárias de 3 a 5 sessões com intervalos semanais ou quinzenais.
5. Depois da cirurgia, a circulação não fica prejudicada sem a veia?
Não. As veias varicosas já não estavam funcionando corretamente; elas estavam atrapalhando a circulação (refluxo). Ao eliminá-las, o sangue é redirecionado para as veias profundas saudáveis, melhorando o fluxo geral.
Referências Bibliográficas
1. Siribumrungwong B, et al. A systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials comparing endovenous ablation and surgical stripping for great saphenous varicose veins. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2012.
2. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. Projeto Diretrizes: Insuficiência Venosa Crônica. Diagnóstico e Tratamento. 2016.
3. Rass K, et al. Comparable effectiveness of endovenous laser ablation and high ligation with stripping of the great saphenous vein: two-year results of a randomized clinical trial (RELACS study). Arch Dermatol. 2012.
4. Darwood RJ, et al. Randomized clinical trial comparing endovenous laser ablation with surgery for the treatment of primary great saphenous varicose veins. Br J Surg. 2008.



