O tratamento de varizes ideal depende da anatomia venosa e do diagnóstico por ultrassom. As opções principais incluem a cirurgia a Laser (Endolaser, padrão-ouro, minimamente invasivo), a Escleroterapia com Espuma (injetável, sem cirurgia) e a Cirurgia Convencional (microflebectomia para veias superficiais). A escolha correta garante uma recuperação rápida e menor taxa de recidiva das dores e do inchaço nas pernas.
Introdução: Qual o melhor caminho para pernas saudáveis?
Receber o diagnóstico de insuficiência venosa crônica costuma vir acompanhado de uma pergunta carregada de ansiedade: “Doutor, eu vou precisar operar?”. Durante décadas, a cirurgia de varizes foi sinônimo de internação prolongada, raquianestesia, cortes na virilha e um pós-operatório marcado por dores e um mês inteiro de repouso com as pernas para o ar.
A boa notícia é que a medicina vascular passou por uma revolução tecnológica impressionante. O conceito de “arrancar” veias deu lugar a técnicas de “ablação”, onde inativamos a veia doente por dentro, preservando os tecidos ao redor. Hoje, a grande dúvida no consultório não é mais “se” vamos tratar, mas sim “qual tecnologia vamos usar”.
Neste guia completo, revisado pela equipe médica do Dr. Ricardo Tavares, vamos comparar detalhadamente o Endolaser, a Espuma e a Cirurgia Convencional, ajudando você a entender qual é a indicação perfeita para o seu corpo.
O primeiro passo: Por que não posso apenas escolher a técnica?
É muito comum o paciente chegar ao consultório e dizer: “Quero fazer a cirurgia a laser, pois minha amiga fez e foi ótimo”. No entanto, o tratamento vascular não é um “menu de restaurante” onde se escolhe o prato. A escolha da técnica é uma decisão estritamente anatômica e hemodinâmica.
Antes de qualquer decisão, é obrigatório realizar o Eco-Doppler Venoso com mapeamento. Esse exame de ultrassom funciona como um GPS para o cirurgião vascular. Ele nos revela:
- O diâmetro exato das veias safenas (magna e parva).
- A localização das válvulas defeituosas (pontos de refluxo).
- A tortuosidade das veias (veias muito “tortas” podem impedir a passagem da fibra de laser).
- A presença de trombos antigos.
Somente com esse “mapa” em mãos podemos definir a estratégia. Vamos analisar as três opções principais.
1. Endolaser (Ablação Térmica): O Padrão-Ouro Mundial
A cirurgia de varizes a laser, tecnicamente chamada de Termoablação (EVLT), é hoje considerada a primeira escolha nas diretrizes mundiais para o tratamento da veia safena doente.
Como funciona?
Em vez de fazer cortes para puxar a veia, o médico faz um pequeno furo (punção guiada por ultrassom) na perna e introduz uma fibra óptica muito fina, da espessura de um fio de macarrão, dentro da veia safena. O laser emite uma energia térmica controlada que “cozinha” e sela a parede da veia por dentro. A veia doente é inutilizada, e o corpo a absorve naturalmente com o passar dos meses.
Principais Vantagens
A ausência de cortes na virilha reduz drasticamente o trauma cirúrgico. O risco de hematomas severos é mínimo. A recuperação é incrivelmente rápida, permitindo que o paciente saia caminhando do hospital. Para entender profundamente essa técnica revolucionária, leia nosso artigo exclusivo sobre a Cirurgia de Varizes a Laser (Endolaser).
2. Escleroterapia com Espuma: Tratamento Sem Bloco Cirúrgico
Para pacientes que têm pavor de centro cirúrgico, risco cardiológico alto (idosos) ou veias extremamente tortuosas, a Espuma Densa surge como uma alternativa brilhante e altamente eficaz.
Como funciona?
O médico mistura um medicamento líquido (geralmente o Polidocanol) com ar ambiente ou gás, criando uma substância com a textura de uma “espuma de barbear” densa. Guiado por ultrassom, ele injeta essa espuma diretamente na varize. A espuma empurra o sangue e causa uma reação química na parede da veia (esclerose química), fechando-a e secando o vaso.
Principais Vantagens
É feito no próprio ambiente do consultório. Não requer anestesia nas costas (raqui) e o paciente não precisa de jejum ou repouso — a orientação é sair andando logo após a aplicação. É um tratamento altamente democrático. Descubra os detalhes, os riscos de manchas na pele e como funciona a Escleroterapia com Espuma para Varizes Grossas.
3. Cirurgia Convencional e Microflebectomia: O Método Clássico
Apesar de toda a tecnologia, a cirurgia de “cortar e puxar” ainda tem o seu lugar na medicina moderna, mas de uma forma muito mais delicada que no passado.
Como funciona hoje?
A extração completa da safena (Safenectomia clássica com fleboextrator) é cada vez menos usada, reservada para casos onde o laser não pode passar devido a dilatações gigantes (aneurismas venosos) ou trombos calcificados. No entanto, a Microflebectomia é amplamente utilizada. Nela, o cirurgião faz microfuros de 1 a 2 milímetros na pele, com agulhas especiais, e pesca os cordões varicosos superficiais com pequenas agulhas de crochê cirúrgico. Esses furos são tão pequenos que não levam pontos (apenas curativos adesivos) e não deixam cicatrizes visíveis.
Para entender quando o método tradicional ainda salva pernas, acesse nosso conteúdo sobre Cirurgia Convencional e Microflebectomia.
O Segredo dos Especialistas: O Tratamento Híbrido (ATTA)
Em nossa prática clínica, observamos que o maior erro no tratamento de varizes é tentar resolver um problema complexo com apenas uma ferramenta. Uma perna geralmente possui a safena doente (profunda), varizes colaterais grossas (médias) e vasinhos avermelhados (superficiais).
Por isso, o estado da arte na angiologia é o Tratamento Híbrido (também conhecido como ATTA – Ablação Térmica Totalmente Ambulatorial). Na mesma sessão, combinamos o melhor de cada técnica:
- Usamos o Endolaser para fechar a veia raiz (safena).
- Usamos a Microflebectomia para retirar as veias em alto relevo, garantindo alívio imediato do peso.
- Usamos o Laser Transdérmico + Escleroterapia (CLaCS) para secar os vasinhos estéticos superficiais.
Essa abordagem ataca a doença venosa em todas as suas camadas. Para entender como eliminamos as veias estéticas no mesmo ato, leia sobre o Tratamento Híbrido para Varizes e Vasinhos.
Comparativo de Pós-Operatório e Repouso
A maior ansiedade do paciente envolve o retorno à rotina de trabalho e exercícios. Preparamos uma tabela realista para alinhar suas expectativas:
| Critério de Avaliação | Endolaser (Laser Endovenoso) | Escleroterapia com Espuma | Cirurgia Convencional |
|---|---|---|---|
| Local do Procedimento | Hospital Dia ou Clínica Estruturada | Consultório Médico (Ambulatorial) | Centro Cirúrgico Hospitalar |
| Anestesia Necessária | Local (Tumescente) ou Sedação Leve | Sem anestesia (apenas a picada) | Raquianestesia ou Peridural |
| Retorno ao Trabalho (Escritório) | 2 a 4 dias | Imediato (sai andando) | 15 a 20 dias |
| Uso de Meias Elásticas | Obrigatório (7 a 15 dias) | Obrigatório (várias semanas) | Obrigatório (30 dias) |
Preparamos um material focado apenas no conforto da sua recuperação. Acesse o nosso Guia Completo de Pós-Operatório e Repouso.
O Medo da Recidiva: “Doutor, se eu operar, as varizes voltam?”
Esta é a pergunta número um nos consultórios vasculares em todo o Brasil. A resposta transparente é: a insuficiência venosa crônica é uma doença de base genética e evolutiva. Não existe cura definitiva.
A veia que foi cauterizada pelo laser, secada pela espuma ou arrancada na cirurgia nunca mais volta. No entanto, você possui milhares de outras veias saudáveis nas pernas que, com o passar dos anos e o impacto da gravidade ou hormônios, podem adoecer e dilatar, formando “novas” varizes.
O Endolaser apresenta a menor taxa de recidiva clínica a longo prazo para o tratamento da safena, mas a manutenção com consultas anuais é o verdadeiro segredo para pernas limpas. Para aprofundar-se neste tema, leia Por que as Varizes Voltam Depois da Cirurgia e Como Evitar.
Perguntas Frequentes sobre os Tratamentos de Varizes (FAQ)
1. Qual é o tratamento de varizes que dói menos?
Em termos de dor intraoperatória, a Escleroterapia com Espuma e o Endolaser com anestesia local (tumescente) são extremamente toleráveis, causando apenas leve ardência. No pós-operatório, o Endolaser e a Microflebectomia causam muito menos dor do que a cirurgia convencional com cortes.
2. O plano de saúde (convênio) cobre a cirurgia a laser?
Depende do seu contrato. A cirurgia convencional e a espuma constam no rol de cobertura obrigatória da ANS. O Endolaser (ablação térmica), embora seja a melhor técnica, pode exigir coparticipação ou não estar coberto por planos mais básicos. A equipe clínica sempre auxilia na solicitation de guias e verificação de reembolso.
3. Posso tratar as varizes durante o verão?
Sim, os tratamentos podem ser feitos em qualquer época do ano. O desafio do verão é o calor (que dificulta o uso das meias de compressão obrigatórias) e a restrição de exposição ao sol enquanto houver manchas roxas (hematomas), para evitar que a pele fique manchada permanentemente.
4. Existe limite de idade para operar as varizes?
Não há um limite estrito de idade, mas sim de risco cirúrgico. Para pacientes idosos, diabéticos ou cardiopatas, onde a cirurgia aberta com raquianestesia seria perigosa, a técnica de Espuma no consultório ou o Endolaser com anestesia local são as escolhas mais seguras.
5. Posso tratar as varizes durante a gravidez?
Não. Durante a gestação, a orientação é 100% conservadora: repouso, elevação das pernas e uso rigoroso de meias de compressão. Intervenções químicas (espuma) ou cirúrgicas só devem ser realizadas após o término do período de amamentação, quando a carga hormonal e de peso voltam ao normal.
6. Fazer a cirurgia prejudica a circulação do sangue?
Pelo contrário. As veias varicosas são “estradas engarrafadas” que estão atrapalhando o trânsito (refluxo de sangue para os pés). Ao eliminá-las, o corpo redireciona o fluxo de sangue para as veias saudáveis e profundas, melhorando a oxigenação e a leveza das pernas.
7. Se eu tirar a safena, como farei uma ponte de safena no coração no futuro?
A veia safena só é inativada (com laser) ou retirada se estiver doente e insuficiente. Uma safena doente, dilatada e tortuosa não serve para ser usada como ponte de safena no coração. Portanto, tratá-la não prejudica seu coração no futuro. Além disso, existem outras veias e artérias (como a mamária) que os cardiologistas utilizam.
8. O tratamento estético para vasinhos exige repouso?
Não. Os tratamentos puramente estéticos para vasinhos e telangiectasias (PEIM com glicose ou Laser Transdérmico – CLaCS) não exigem afastamento do trabalho. O paciente entra na clínica, realiza a sessão e volta para sua rotina normal, apenas com a restrição de exercícios pesados naquele dia.
9. Preciso emagrecer antes de fazer o tratamento das varizes?
Não é obrigatório, mas é altamente recomendado. A obesidade aumenta a pressão abdominal e dificulta o retorno venoso. Emagrecer melhora os resultados estéticos da cirurgia, facilita a recuperação e diminui consideravelmente as chances de recidiva (retorno) de novas varizes.
10. Como escolho a melhor clínica ou médico?
O tratamento deve ser realizado obrigatoriamente por um médico com especialidade em Angiologia e Cirurgia Vascular registrado no Conselho Regional de Medicina (RQE). O domínio do uso do ultrassom Doppler pelo próprio cirurgião durante o procedimento também é um diferencial de segurança inquestionável.
Referências Bibliográficas
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